Imposto Seletivo: entenda os impactos da nova tributação sobre setores e consumidores
- OCP Brasil

- 14 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de out. de 2025
Previsto para entrar em vigor em 2027, o Imposto Seletivo (IS) integra a reforma tributária e incidirá sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente. Saiba quais setores serão mais afetados e o que muda na prática.
O que é o Imposto Seletivo?
O Imposto Seletivo (IS) é uma das novidades trazidas pela reforma tributária brasileira, criada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025.
Sua função é extrafiscal, ou seja, mais do que arrecadar, o objetivo é regular o consumo de produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Entre os itens que estarão sujeitos ao novo tributo estão:
Cigarros e derivados do tabaco
Bebidas alcoólicas e adoçadas
Veículos poluentes, embarcações e aeronaves
Combustíveis fósseis e produtos minerais
Objetivo e impacto social
O Imposto Seletivo busca desestimular hábitos de consumo prejudiciais e incentivar práticas mais sustentáveis e saudáveis. Com isso, produtos considerados nocivos devem sofrer aumento de preços, refletindo o custo social e ambiental de sua produção e uso.
Entretanto, especialistas apontam a necessidade de equilíbrio: embora a medida tenha potencial de reduzir o consumo e beneficiar a saúde pública, ela também pode impactar grupos de menor renda, mais sensíveis a variações de preço.
A eficácia do imposto dependerá de políticas públicas complementares, como programas de saúde, educação e sustentabilidade e de clareza na definição dos produtos tributados.
Setores mais afetados
Empresas que atuam em indústrias de bebidas, tabaco, mineração e automóveis serão as mais impactadas pelo novo tributo.
Por ser um imposto monofásico (cobrado apenas em uma etapa da cadeia produtiva, normalmente do fabricante), o IS não gera créditos tributários, o que pode elevar o custo operacional das companhias.
Isso exigirá planejamento tributário, reavaliação de margens e revisão de políticas de precificação, especialmente em setores com alta carga fiscal e forte concorrência.
Implementação e desafios regulatórios
A aplicação do Imposto Seletivo será gradual, com início em 2027 e conclusão até 2033, acompanhando a transição completa da reforma tributária. No entanto, ainda há pontos em aberto:
A definição precisa dos produtos e serviços sujeitos à tributação;
A forma de cálculo e alíquotas específicas;
E a destinação dos recursos arrecadados, já que o imposto não possui, até o momento, vinculação direta a políticas ambientais ou de saúde pública.
Essas lacunas exigem atenção constante das empresas, que precisarão acompanhar a regulamentação e as publicações complementares nos próximos anos.
O que as empresas devem fazer agora
Mesmo antes de sua implementação, é importante que os negócios:
Avaliem o enquadramento de seus produtos no escopo do IS;
Reestruturem estratégias de precificação e repasse de custos;
Invistam em processos produtivos mais sustentáveis;
E mantenham assessoria contábil e tributária especializada para antecipar impactos e mitigar riscos.
Fontes: EC 132/2023; LC 214/2025



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